domingo, 13 de dezembro de 2009
sozinha.
que estranho. estou aqui. em plana tarde de domingo com pessoas que tem no mínimo o dobro da minha idade. eles estão bebendo. ouvindo músicas extramamente altas. dando gargalhadas que consigo ouvir mesmo estando no lugar mais distantes possível. preciso estudar, mas não tenho concentração. não estou com fome. não estou com sono. não estou feliz. os minutos passam e eu procuro sem sucesso dentro de mim alguma coisa que me traga algo bom. não encontro. minhas lembranças não me levam a lugar algum. não consigo sequer fechar os olhos e fingir estar sonhando acordada. tudo parece o pior dos pesadelos. uma saudade tão grande de algo que nem sei o que é ao certo me angustia. já procurei mas não achei a música certa. todas conseguem me deixar ainda pior. quando me sinto tão deslocada é que penso em quantas voltas, idas e vindas essa vida dá. ontem eu estava tranquila. olho agora pela janela e o vento balança a copa das árvores. o céu azul. lindo. eu bem que poderia agora me sentir sintonizada... poderia sair. tomar sorvete. ir ver o mar. mas não consigo. algo me prende à essa melancolia. minhas unhas vermelhas são as únicas que me fazem rir. estão completamente borradas e feias. acho que precisava mesmo de alguém que não perguntasse o motivo da minha cara emburrada. alguém que simplismente me amasse. e não tivesse vergonha de dizer isso. alguém que me desse um abraço e não pedisse nada em troca. é. é isso que eu queria. um ombro. um porto. porque estar sozinha me traz todo esse mar de desconforto. não ter ninguém para dividir essa agonia estranha é o que me desespera. a tv está falando para as paredes a horas. ninguém olha para ela. ninguém ouve o que ela diz. parece que hoje estamos passando pela mesma situação. juntas. sinto falta na verdade de mim mesma. aos poucos me afasto cada vez mais da jade pela qual sentia tanto orgulho. e infelizmente não consigo mais correr na contramão. não assim. sozinha.